Muitas vezes abrir mão da eternidade, leva-nos inevitavelmente ao sofrimento. Entretanto é melhor sentir dor, amor, frustração, ternura, decepção, carinho e cumplicidade, do que passar uma eternidade inteira, sem tê-los. Hoje decidi fazer algo diferente, resolvi ouvir o som, abafado, do meu sussurro e entender que algumas coisas são inexplicáveis, inexistentes, inevitáveis e permaneceram para sempre imutáveis. Meu coração rendeu-se no silencio, meus olhos fecharam-se diante de quase tudo, quase todos, então eu pude perceber que há, também, muitas outras coisas que podem ser lançadas no mar do esquecimento ou no abismo do disfarçar, e essa atitude, mudar, definitivamente a história da minha vida. Olhei-me atentamente, pela primeira vez depois de dias ou até meses e vi-me como realmente sou. Olhei-me sem hipocrisia, sem medo e sem pena, me auto avaliei sem mascara ou aparência ilusora, sem desculpas e até sem culpa. Simplesmente desnudei-me de mim mesmo e meu coração guiou-me a um encontro com a minha humanidade. Pude perceber que tornar-me humano significa reconhecer que não sou perfeito, que não sou passivo de errar, que não preciso de todas as respostas.
Percebi que tenho deficiências, áreas de sombra... desejos ocultos...fraquezas que não podem ser confessadas. Rasguei-me, por dentro, ao confrontar-me com minha humanidade.
Percebi que viver no contexto da eternidade significa considerar-se infalível, ser cheio de arrogância, achar-se acima do bem e do mal,
julgar as pessoas por suas falhas... não ser compassivo... chegar ao extremo na busca pela perfeição. Que alto preço a se pagar!
Entretanto, não abro mão mais da minha humanidade.
Cometerei erros, terei decepções, sofrerei, mas, também serei mais tolerante, menos arrogante... mais compreensivo... e saberei amar, de uma maneira plena, livre de pré - conceitos e preconceitos...
Essa será minha eterna busca:
Morrer para mim mesmo, e renascer, mais humano, a cada novo dia!
(texto de Heloísa Amaral de Souza modificado e alterado por mim, Alan Araújo do Rosario.)
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
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