Hoje resolvi falar sobre ela, de novo e para variar, não que isso seja uma tarefa fácil, ta, ela não é uma tarefa fácil. Creio que isso que me deu tamanho interesse nela. Ela é um poço de defeitos. Confusa, meio mundo de "tanto faz", do tipo que da um passo á frente, e uns dez pra trás, ela nunca falava o que tava sentindo na hora certa, deixava algumas vezes pra uma hora que nem tinha sentido algum, eu amava isso. Ela é estranha, e com ela não existe isso de “equilíbrio” ela é sempre o extremo, a ponta da linha, ela é dramática, chata demais, tudo demais. Você pode esperar tudo dela, mas, é quase sempre o que eu esperava, ela ficava retada por eu saber cada movimento dela, as vezes previsível até de mais. Ela é linda, mas isso todo mundo falava/fala para ela, tem uma risada que me desequilibra, perto dela eu me sentia tão… é tipo assim, ela é o oceano, enquanto eu sou gota d’agua. Me incomodava que ela falava pouco sobre ela, mas, era sempre assim, ela preferia que eu me fodia pra tentar descobrir o que tava passando na cabeça dela, quase sempre eu acertava, ou achava que acertava, sei que não era fácil, outra vez, ela fazia questão de me dar mil opções, e resolvia dar a verdadeira lá pro final. Já disse como ela era idiota? Ela é, se bem que ela disfarça bem, mas, no fundo, ela adora idiotices, os olhos dela brilhavam quando eu fazia, creio que um dos meus maiores prazeres era fazer idiotice para ela, por isso que ela me chamava de idiota o tempo todo, creio que ela é apaixonada por pessoas idiotas. Ela é apaixonada, eu não sei exatamente pelo quê, deve ser uma coisa muito maneira, porquê eu sinto vontade de me apaixonar assim como ela. No fundo, ela acredita nas pessoas, lá no fundo, ela quer que tudo dê certo. Ah, ela é mestre em fugas repentinas, deveria ser professora disso, quase sempre dava uma desculpa, ou amaciava a carne antes da mesma. Ela é uma crise, assim como eu, pelo menos eu achava... sabe a ultima combinação do cofre? Então, ela passa longe disso, eu suponhava, que nunca iria conseguir adivinhar ou entender as loucuras dela, e isso era a sensação mais interessante que alguém já me fez sentir. Ela as vezes me assustava, ela me encantava, ela era complexa, incompleta demais, e eu doido para completa-la, parecia que o tempo todo ela andava perdendo peças dela por aí, penso que se ela fosse um quebra cabeça, ia ser mais fácil pra mim, um pouco de tempo, paciência, e dedicação, seriam o bastante, mas, ela não ta nem perto de ser um quebra cabeça, ta mais pra projeto inacabado de um laboratório árabe com meio mundo de livros em japonês, ou a Sinfonia que Mozart não conseguiu tocar, a ideia que Einstein não teve, a frase que Shakespeare esqueceu de escrever, aparentemente, essas coisas, ninguém sente falta, mas ela? nasceu pra fazer falta. Ela é saudade, quanta saudade eu sinto dela, nunca sentir imensa saudade de nada, de ninguém. Não me resta muito tempo com ela, eu acho. Ela é uma criança, um campo minado, as vezes eu tenho a impressão que ela é um exercito, depois, eu a vejo outra vez, tão linda, com um olhar brilhante e lindo, mais quase sempre triste, e eu só sentindo um desejo uma vontade de mudar aquele olhar, ela é tão perfeita, quando eu escutava a respiração dela no telefone, e acima de tudo, ela é o meu mundo, não vou dizer que "era" pois sinto cara, que ela ainda é, e talvez sempre sera. Ela tem umas manias bem particulares, o jogar do cabelo, o olhar frio seguido de um virar de rosto, 300 mil sorrisos diferentes, alguns encantadores, outros preocupadores, no começo ela era um pouco fechada, mas com o tempo ela tava se abrindo aos poucos, eu me esforçava a cada encontro para conquista-la e para ela confiar mais em mim, tava a ganhando do meu jeito, creio que meu passatempo predileto, era tentar descobri-la. Ela faz o gênero missão impossível sabe. E eu coitado, sempre acreditando e querendo o impossivel. Ela é um problema, um problemão, não é atoa que eu falava para ela direto "tô fudido, não consigo viver sem você", sei que ela balança com minha estrutura, vai entender, talvez eu devesse andar com um daqueles tubinhos de jato para asma. Ela costumava ser bem agridoce, tinha um jeito meio embriagado, quase sempre com uma cara de sono, mas quando ela sorria, aaah quando ela sorria o sol saia até a noite. Não teve uma vez que eu fui vê-la (ela sabendo) que ela não estava com aquele pó no rosto, eu achava engraçado, pois ela era linda sem o mesmo, mas sempre queria se mostrar mais bonita para mim, coitada não sabia que ela poderia ser feia o quanto fosse, eu amaria como estou a amar. Ela é responsável demais, do tipo que não foge de casa no meio da noite pra ir olhar o céu lá fora, acho que ela gosta disso, ficar no lugar dela, o espaço dela, já disse que ela tem um “Keep Out” na cara, acho que faz isso pra facilitar as coisas. Depois de tudo, ela é simples, tá… depois de muito, ela é bem simples, digo, a essência, ela é impossível, deve ser por isso que eu a amo, é isso. A impossibilidade de finalmente entendê-la, e saber o que falar pra ela na hora exata, pois eu costumo me complicar com as palavras faladas, quando eu tentava lhe explicar uma coisa... complicava mais ainda, a tirava mais do serio ainda, mais creio que no final ela me entendia, mesmo depois de respirar fundo ou abrir e fechar as mãos algumas vezes, aquelas mão que quando nervosa suava, ainda mas quando eu não falava, ai sim era um problema, ela queria ta por dentro de tudo. Conosco era tudo muito improvável, muito acidental, agente se batia e se machucava direto, e sempre dar vamos risada, me lembro no começo que algumas vezes quando íamos nos beijar agente batia a testa uma na outra e nos acabávamos na risada. Ela é meio desastrada, ta meio não.. ela era toda, isso a tornava unica, cá entre nós, ela tem um queda por desastres, meu plano com ela é simples, se der errado, dane-se, tento outra vez, só não desisto. É estranho, ela deveria ter vindo com um manual, sei lá, umas dicas, mas, tava tudo bem, pra uma pessoa apaixonada por idiotas, com uma habilidade peculiar de confundir as pessoas, e por ter um aptidão por desastres, ela ganhou pontos comigo. Foi desenhada assim, toda sei lá, só pra me fazer feliz. Se vocês que estão a ler passassem só um dia com ela, não iriam entender 1% do que eu to falando, se passar uma vida com ela, iam continuar no 0x0. É que, ela é um livro inacabado, a parte “tcham” da história, ela acaba comigo, me sinto completamente desprotegido, literalmente, ela é minha kriptonita. Ela foi feita pra mim, eu só não sabia como dizer isso pra ela. E eu acho que foi por isso que a perdi... Mas óh, a amo, e não consigo imaginar o dia que vou deixar de ama-la. Afinal, quando é amor, não acaba... não desiste, não desgasta, talvez tu até se permita viver com alguém que venha a te fazer bem, mas quando se fala em amor meus caros leitores, acredito que cada ser é predestinado a amar só uma pessoa, só uma outra metade, e certeza eu nunca tive de quase nada, só que ela é a minha cara metade. — A.Araújo
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Afinal, quando é amor, não acaba... não desiste, não desgasta, talvez tu até se permita viver com alguém que venha a te fazer bem, mas quando se fala em amor meus caros leitores, acredito que cada ser é predestinado a amar só uma pessoa, só uma outra metade, e certeza eu nunca tive de quase nada, só que ela é a minha cara metade.
Meu Deus... Estou aqui, me debulhando em lágrimas. Como é possível caber tanto amor assim dentro de um coração? Tudo o que eu sempre sonhei pra mim, e nunca encontrei... Quer dizer, encontrei e ainda encontro, apenas nos romances que nunca canso de ler...
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